A Natureza é Soberana
Nas reflexões
antropológicas, em algumas teorias conceituais, se explica a
transição do homem do estado de selvageria, para a civilização,
onde o homem passa pelo estágio da barbárie e se inicia o processo
de dominação do homem sobre os fenômenos da natureza; passa a
domesticar os animais, alterar e incrementar a produção natural por meio do seu trabalho.
A natureza se mantém
por si só, completando o ciclo da vida, segundo o evolucionismo o
mais forte sobrevive e perpetua sua espécie, o homem em sua
racionalidade passa a se considerar o mais forte em relação a todos
os outros seres e todos os fenômenos da natureza; passa a dominar,
treinar e explorar animais, se apropriar de terras, rios, mares e de
todos os seus produtos. Passa a considerar não somente a sua
sobrevivência, como os irracionais; usa a sua racionalidade para
destruir riquezas naturais e transformá-las em riquezas pessoais,
não se alia a sua própria raça, faz uso da razão a favor do
egocentrismo. Visto que além da sobrevivência do mais forte, sempre
houve a competição entre os seres, o homem passa a competir com os
de sua própria raça, não somente no sentido de sobrevivência,
mas para satisfação do seu ego. O ter e o poder muitas vezes faz do
racional, um irracional, onde a superação do outro passa a ser seu
foco principal, nessa disputa não se respeita sequer a natureza.
Natureza esta que o
homem julga ser subordinada ao seu racionalismo, escrava de seus
desejos e pronta a entregar-lhe suas riquezas, deixando-se
desfalecer, enquanto suas riquezas, produtos que lhe sustentam são
arrancados de seu seio, formando crateras, desertos, ocasionando a
morte de inúmeros seres vivos que fazem parte do seu bio-
equilíbrio, imprescindível para a manutenção do ciclo da vida,
inclusive a vida humana.
A transformação
e evolução das sociedades chega a civilização moderna
contemporânea com a revolução industrial e o que era explorado
manualmente passa a ser explorado em larga escala para alimentar
máquinas e indústrias na produção de inúmeros produtos que
passam a interferir no comportamento humano, com benefícios e
malefícios, uma dessas interferências passa a ser a longevidade
humana, diminui-se a taxa de mortalidade, agora o homem vive por mais
tempo, portanto passa a explorar a natureza e a poluir por mais
tempo.
A descoberta
desenfreada de produtos com maior durabilidade e outros com grande
potencial poluidor, causam uma revolução, porém não se pensou em
poupar a natureza de seus próprios produtos, agora transformados
pelo homem que por sua vez devolve a natureza produtos alterados,
resíduos de matéria prima transformados, prejudiciais a natureza e
a toda forma de vida, inclusive a humana.
O homem faz parte da
natureza, porém em sua racionalidade, julga-se um ser superior,
acreditando que a natureza está a seu serviço, pronta a lhe
entregar suas riquezas e julgando ainda os seus feitos como algo
soberano, que as civilizações posteriores irão lhe agradecer, ou
quem sabe até a própria natureza ficará a lhe dever um favor.
Ora, a composição
do corpo humano é feita por produtos encontrados na natureza, desde
a água aos sais minerais, e suas funções vitais dependem
exclusivamente desses produtos em quantidades equilibrados. Provado
cientificamente que o planeta existe antes do homem e que através da
evolução, seja natural ou provocada pela ação do trabalho humano,
chegamos aos dias atuais, sabendo ainda que o homem é composto por
elementos encontrados na natureza, e que apesar da razão humana,
toda descoberta foi no sentido de transformação, ou seja "...nada
se cria, tudo se transforma...", será que o ser humano não
deve o favor da vida à natureza?
Hoje, o homem se
orgulha das transformações que causou no planeta Terra e em até em
outros planetas da galáxia. Esse orgulho pode se ofuscar quando
comparamos os danos que essas transformações causaram, pois não
houve uma avaliação quanto ao custo benefício dessas ações
transformadoras.
Levando em conta o
livro mais lido do mundo, a Bíblia Sagrada, vemos em seus relatos,
que o próprio Deus, criador de todas as maravilhas descritas no
livro de Gênesis, sobre o Jardim do Éden, se descarta do homem, a
criação segundo sua imagem e semelhança; deixando claro para o
homem que o Jardim se mantém através do ciclo natural da vida, não
sendo necessária a presença do homem que através da desobediência
adquiriu conhecimento suficiente para se manter fora de Sua proteção;
Deus em sua soberania, colocou guardiões para que o homem não
tivesse acesso, além do conhecimento do bem e do mal, ao segredo da
vida.
Apesar da ciência
não se dobrar a estes escritos, vemos aqui uma relação intrínseca,
o homem tem ao longo dos anos feito uso dos seus conhecimentos para
evoluir, e com a evolução tem-se produzido benefícios e
malefícios, sendo que os benefícios são propositalmente para sua
satisfação pessoal, enquanto que os malefícios consciente ou
inconscientemente sempre afetem a outros, não se usa o conhecimento
para se fazer uma reflexão dos seus atos automatizados, até se fala
e se prega alguns conceitos, que não se efetivam de fato.
Alguns
estudiosos e religiosos, defendem a ideia de que a natureza é o
próprio Ser supremo, considerando-a como um Deus. Acreditando ou não
que Deus é o criador de toda natureza ou de todo o universo e
considerando a verdade subjetiva de cada ser humano e sabendo que a
terra existe a bilhões de anos, ou desde a eternidade e que irá
existir por muitos outros bilhões de anos, ou por toda eternidade,
podemos concluir que a terra tem portanto poder para sobreviver e se
refazer mesmo que leve bilhões de anos ou até uma eternidade, já
do homem em sua matéria e em seu corpo mortal, não se pode afirmar
o mesmo.
O homem precisa
usar seu conhecimento para reconhecer que é totalmente dependente da
natureza e seus recursos, e que não é a natureza que depende de
suas ações, que a natureza não precisa se submeter a ele e sim
ele, como animal racional que precisa reconhecer sua dependência da
NATUREZA.
Rozenaide Ribeiro
Maio/2012
Maio/2012