quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Natureza é Soberana


A Natureza é Soberana


Nas reflexões antropológicas, em algumas teorias conceituais, se explica a transição do homem do estado de selvageria, para a civilização, onde o homem passa pelo estágio da barbárie e se inicia o processo de dominação do homem sobre os fenômenos da natureza; passa a domesticar os animais, alterar e incrementar a produção natural por meio do seu trabalho.
A natureza se mantém por si só, completando o ciclo da vida, segundo o evolucionismo o mais forte sobrevive e perpetua sua espécie, o homem em sua racionalidade passa a se considerar o mais forte em relação a todos os outros seres e todos os fenômenos da natureza; passa a dominar, treinar e explorar animais, se apropriar de terras, rios, mares e de todos os seus produtos. Passa a considerar não somente a sua sobrevivência, como os irracionais; usa a sua racionalidade para destruir riquezas naturais e transformá-las em riquezas pessoais, não se alia a sua própria raça, faz uso da razão a favor do egocentrismo. Visto que além da sobrevivência do mais forte, sempre houve a competição entre os seres, o homem passa a competir com os de sua própria raça, não somente no sentido de sobrevivência, mas para satisfação do seu ego. O ter e o poder muitas vezes faz do racional, um irracional, onde a superação do outro passa a ser seu foco principal, nessa disputa não se respeita sequer a natureza.
Natureza esta que o homem julga ser subordinada ao seu racionalismo, escrava de seus desejos e pronta a entregar-lhe suas riquezas, deixando-se desfalecer, enquanto suas riquezas, produtos que lhe sustentam são arrancados de seu seio, formando crateras, desertos, ocasionando a morte de inúmeros seres vivos que fazem parte do seu bio- equilíbrio, imprescindível para a manutenção do ciclo da vida, inclusive a vida humana.
A transformação e evolução das sociedades chega a civilização moderna contemporânea com a revolução industrial e o que era explorado manualmente passa a ser explorado em larga escala para alimentar máquinas e indústrias na produção de inúmeros produtos que passam a interferir no comportamento humano, com benefícios e malefícios, uma dessas interferências passa a ser a longevidade humana, diminui-se a taxa de mortalidade, agora o homem vive por mais tempo, portanto passa a explorar a natureza e a poluir por mais tempo.
A descoberta desenfreada de produtos com maior durabilidade e outros com grande potencial poluidor, causam uma revolução, porém não se pensou em poupar a natureza de seus próprios produtos, agora transformados pelo homem que por sua vez devolve a natureza produtos alterados, resíduos de matéria prima transformados, prejudiciais a natureza e a toda forma de vida, inclusive a humana.
O homem faz parte da natureza, porém em sua racionalidade, julga-se um ser superior, acreditando que a natureza está a seu serviço, pronta a lhe entregar suas riquezas e julgando ainda os seus feitos como algo soberano, que as civilizações posteriores irão lhe agradecer, ou quem sabe até a própria natureza ficará a lhe dever um favor.
Ora, a composição do corpo humano é feita por produtos encontrados na natureza, desde a água aos sais minerais, e suas funções vitais dependem exclusivamente desses produtos em quantidades equilibrados. Provado cientificamente que o planeta existe antes do homem e que através da evolução, seja natural ou provocada pela ação do trabalho humano, chegamos aos dias atuais, sabendo ainda que o homem é composto por elementos encontrados na natureza, e que apesar da razão humana, toda descoberta foi no sentido de transformação, ou seja "...nada se cria, tudo se transforma...", será que o ser humano não deve o favor da vida à natureza?
Hoje, o homem se orgulha das transformações que causou no planeta Terra e em até em outros planetas da galáxia. Esse orgulho pode se ofuscar quando comparamos os danos que essas transformações causaram, pois não houve uma avaliação quanto ao custo benefício dessas ações transformadoras.
Levando em conta o livro mais lido do mundo, a Bíblia Sagrada, vemos em seus relatos, que o próprio Deus, criador de todas as maravilhas descritas no livro de Gênesis, sobre o Jardim do Éden, se descarta do homem, a criação segundo sua imagem e semelhança; deixando claro para o homem que o Jardim se mantém através do ciclo natural da vida, não sendo necessária a presença do homem que através da desobediência adquiriu conhecimento suficiente para se manter fora de Sua proteção; Deus em sua soberania, colocou guardiões para que o homem não tivesse acesso, além do conhecimento do bem e do mal, ao segredo da vida.
Apesar da ciência não se dobrar a estes escritos, vemos aqui uma relação intrínseca, o homem tem ao longo dos anos feito uso dos seus conhecimentos para evoluir, e com a evolução tem-se produzido benefícios e malefícios, sendo que os benefícios são propositalmente para sua satisfação pessoal, enquanto que os malefícios consciente ou inconscientemente sempre afetem a outros, não se usa o conhecimento para se fazer uma reflexão dos seus atos automatizados, até se fala e se prega alguns conceitos, que não se efetivam de fato.
Alguns estudiosos e religiosos, defendem a ideia de que a natureza é o próprio Ser supremo, considerando-a como um Deus. Acreditando ou não que Deus é o criador de toda natureza ou de todo o universo e considerando a verdade subjetiva de cada ser humano e sabendo que a terra existe a bilhões de anos, ou desde a eternidade e que irá existir por muitos outros bilhões de anos, ou por toda eternidade, podemos concluir que a terra tem portanto poder para sobreviver e se refazer mesmo que leve bilhões de anos ou até uma eternidade, já do homem em sua matéria e em seu corpo mortal, não se pode afirmar o mesmo.
O homem precisa usar seu conhecimento para reconhecer que é totalmente dependente da natureza e seus recursos, e que não é a natureza que depende de suas ações, que a natureza não precisa se submeter a ele e sim ele, como animal racional que precisa reconhecer sua dependência da NATUREZA.

Rozenaide Ribeiro
Maio/2012

Um comentário:

  1. Este texto foi escrito por mim como reflexão sobre o conteúdo de Educação Ambiental visto na Graduação de Licenciatura em Ciências Sociais, e até hoje reflito sobre o impacto de nossas ações ao meio em que vivemos, seja social, econômica e ambiental. Por meio deste texto retomo minhas atividades no Blog que aprendi a usar quando lecionava Sociologia para alunos do Ensino Médio.

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